Presentación: Políticas de la reproducción desde una perspectiva latinoamericana: diálogos entre Brasil, Argentina y Uruguay
DOI:
https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v58.i1.a70756Palabras clave:
América Latina., Gobernanza reproductiva, Justicia reproductiva, Políticas de reproducciónResumen
Este artículo introduce el dossier Políticas de la reproducción: perspectivas latinoamericanas situando el debate contemporáneo sobre la reproducción como un campo de disputas políticas, morales y raciales de larga duración. Considerando discursos públicos que responsabilizan a mujeres pobres por su fecundidad o pánicos demográficos en el Norte global, mostramos cómo la reproducción sigue siendo un terreno estratégico donde se define quién debe o no debe nacer, en qué condiciones y al servicio de qué proyectos de futuro. Estas dinámicas se inscriben en una historia marcada por la colonialidad, el racismo y el elitismo que orientan la gobernanza reproductiva a escala global y regional. La reproducción no se limita a lo biológico, sino que incluye la reproducción social y las prácticas de cuidado. Desde esta perspectiva, se retoman aportes de la antropología feminista para afirmar que toda reproducción es política y que toda política es también reproductiva y racializada. Dialogamos con los conceptos de políticas de reproducción, gobernanza reproductiva y justicia reproductiva para evidenciar cómo los regímenes morales que regulan la fecundidad y la maternidad producen jerarquías entre maternidades legítimas y ilegítimas, promovidas y prohibidas, celebradas e invisibilizadas. Nuestra presentación muestra cómo estas gramáticas de sospecha y moralización se actualizan en interacciones cotidianas en instituciones de salud, cuidado y asistencia social, donde el Estado actúa no solo como gestor de recursos, sino como instancia de vigilancia y juicio moral. Finalmente, se sostiene que analizar las políticas de la reproducción en América Latina exige articular historia, etnografía y crítica interseccional para comprender cómo la desigualdad reproductiva constituye un problema central de democracia, justicia social y distribución del futuro.
Descargas
Referencias
ALVES, Andréa Moraes. A trajetória do centro de pesquisas e atenção integrada à mulher e à criança (1975-1992). Século XXI–Revista de Ciências Sociais, Campo Grande, v. 2, p. 180-216, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.5902/2236672517042. Acesso em: 4 fev. 2026.
ALVES, Ariana Oliveira. “Quem tem direito a querer ter/ser mãe?” Dinâmicas entre gestão, instâncias Estatais e ação política em Belo Horizonte (MG). 2021. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2021.
ARAÚJO, Janaína Teresa Gentili Ferreira de. Doular mulheres negras: uma análise das práticas de cuidado e testemunho das violências através das experiências de doulas negras atuantes no projeto Sankofa Atendimento Gestacional. 2024. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024.
BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
BRANDÃO, Elaine Reis; CABRAL, Cristiane da Silva. Justiça reprodutiva e gênero: desafios teórico-políticos acirrados pela pandemia de covid-19 no Brasil. Interface, Botucatu, v. 25, n. 1, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/interface.200762. Acesso em: 4 fev. 2026.
BRANDÃO, Elaine; LOWENKRON, Laura; CARNEIRO, Rosamaria. Justiça reprodutiva: desafios interseccionais na saúde coletiva. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2025
BRIGGS, Laura. How all politics became reproductive politics: from welfare reform to foreclosure to Trump. Berkeley: University of California Press, 2017.
CARNEIRO, Rosamaria. Cansaço e violência social: sobre o atual cotidiano materno. Cadernos Pagu, Campinas, n. 63, p. e216313, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/18094449202100630013. Acesso em: 4 fev. 2026.
CARREÑO, Alejandra; MURRAY, Marjorie. “Le quita el pecho a su hijo y se va a trabajar”: estereotipos de indianidad y violencias históricas en la percepción de equipos de salud sobre la maternidad de migrantes bolivianas en Chile. Antipoda. Revista de Antropología y Arqueología, [s. l.], v. 62, p.25-46, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.7440/antipoda62.2026.02. Acesso em: 13 fev. 2026.
COLEN, Shellee. “Like a mother to them”: stratified reproduction and West Indian childcare workers and employers in New York. In: GINSBURG, Faye; RAPP, Rayne (ed.). Conceiving the New World Order: the global politics of reproduction. Berkeley: University of California Press, 1995. p. 78-102
COROSSACZ, Valeira Ribeiro. O corpo da nação. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2009.
COSTA, Jurandir Freire. Ordem médica e norma familiar. Rio de Janeiro: Graal, 1983.
DONZELOT, Jacques. A polícia das famílias. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1980.
FAZZIONI, Natália Helou. Manter-nos juntos: casa, corpo e cuidado em diferentes arranjos . Anuário Antropológico, Brasília, v. 48, n. 1, p. 171-188, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.4000/aa.10625. Acesso em: 4 fev. 2026.
FERNANDES, Camila. Figuras da causação: as novinhas, as mães nervosas e mães que abandonam os filhos. Rio de Janeiro: Telha, 2021.
FONSECA, Claudia; MARRE, Diana; RIFIOTIS, Fernanda. Governança reprodutiva: um assunto de suma relevância política. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 27, n. 61, p. 7-46, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-71832021000300001. Acesso em: 10 jun. 2022.
FOUCAULT, Michel. A História da Sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988.
GIACOMINI, Sonia. Mulher e Escrava: u ma introdução histórica ao estudo da mulher negra no Brasil. Petrópolis: Appris. 1988.
GINSBURG, Faye; RAPP, Rayne (ed.). Conceiving the New World Order: the global politics of reproduction. Berkeley: University of California Press, 1995.
GOES, Emanuelle. Política dos corpos, (In)justiça reprodutiva e o Sistema Moderno Colonial de Gênero. In: BRANDÃO, Elaine; LOWENKRON, Laura; CARNEIRO, Rosamaria (org.). Justiça reprodutiva: desafios interseccionais na saúde coletiva. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2025. p. 41-57.
GOMES, Janína Dantas Germano. Entre Mulheres que Destituem e que São Destituídas: reflexões sobre a atuação do Poder Judiciário e a justiça reprodutiva em casos de destituição do poder familiar. In: BRANDÃO, Elaine; LOWENKRON, Laura; CARNEIRO, Rosamaria (org.). Justiça reprodutiva: desafios interseccionais na saúde coletiva. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2025. p. 215-240.
GONZÄLVEZ, Herminia; GUIZARDI, Menara (ed.). Cuidados y movilidades femeninas en América Latina: breve guía para lecturas iniciales. Santiago de Chile: Canopus Editorial Digital, 2024.
LOWENKRON, Laura; FERNANDES, Camila. Motherhood amidst reprimands and advice: parenting and class in Rio de Janeiro. Ethos, [s. l.], v. 53, n. 2, e70013, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1111/etho.70013. Acesso em: 4 fev. 2026.
MAGNONE, Natalia. Institucionalización y medicalización del parto en Uruguay (1920-1960). Tensiones para la autonomía reproductiva de las mujeres. 2022. Tesis (Doctorado en Ciencias Sociales) – Departamento de Trabajo Social, Universidad de la República, Montevideo, 2022.
MATTAR, Laura Davis; DINIZ, Carmen Simone Grilo. Hierarquias reprodutivas: maternidade e desigualdades no exercício de direitos humanos pelas mulheres . Interface – Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 16, n. 40, p. 107-120, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1414-32832012005000001. Acesso em: 10 jun. 2022.
MORALES, Gabriela Elisa. Decolonizing Medicine: Indigenous Politics and the Practice of Care in Bolivia. Stanford: Stanford University Press, 2025.
MORGAN, Lynn; ROBERTS, Elizabeth. Reproductive governance in Latin America. Anthropology & Medicine, [s. l.], v. 19, n. 2, p. 241-254, 2012. Disponível em: 10.1080/13648470.2012.675046. Acesso em: 4 fev. 2026.
MURRAY, Marjorie. Back to work? Childcare negotiations and intensive mothering in Santiago de Chile. Journal of Family Issues, [s. l.], v. 36, n. 9, p. 1171-1191, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1177/0192513X14533543. Acesso em: 4 fev. 2026.
NAGELS, Nora. Género y apropiación de la perspectiva de inversión social en Bolivia: el sistema de los Bonos. Bulletin de l’Institut français d’études andines, [s. l.], v. 44, n. 3, p. 365-385, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.4000/bifea.7651. Acesso em: 4 fev. 2026.
PASSOS, Rachel Gouveia. Na mira do fuzil: a saúde mental das mulheres negras em questão. São Paulo: Editora Hucitec, 2023.
PASSOS, Ellen Gomes. Colonialidade de gênero como chave de leitura para entender a violência de gênero perpetuada na América Latina: o caso do Peru (1996-2000). 2024. Dissertação (Mestrado em Estudos Estratégicos Internacionais) – Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2024.
POSSARI, Paola Damascena. Entre fios e nós: itinerários reprodutivos e significado da laqueadura nas vozes das mulheres esterilizadas. 2025. Dissertação (Mestrado em Estado e Sociedade) – Centro de Formação em Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal do Sul da Bahia, Campus Sosígenes Costa, Porto Seguro, 2025.
ROBERTS, Dorothy. Torn Apart: How the Child Welfare System Destroys Black Families--And How Abolition Can Build a Safer World. New York: Basic Books, 2022.
ROSS, Loretta. Reproductive Justice as Intersectional Feminist Activism. Soul, [s. l.], v. 19, n. 3, p. 286-314, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1080/10999949.2017.1389634. Acesso em: 4 fev. 2026.
SOLATERRAR, Ueslei; LOWENKRON, Laura. Preciso estar bem para cuidar do meu filho: (des)encontros entre raça, maternidade e loucura. Antropolítica, Revista Contemporânea de Antropologia, Niterói, v. 57, n. 1, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.22409/antropolitica2025.v57.i1.a64152. Acesso em: 4 fev. 2026.
STEPAN, Nancy Leys. A hora da eugenia: raça, gênero e nação na América Latina. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2005.
TEMPESTA, Giovana. Por uma antropologia da reprodução racializada. Compondo laços ético-epistemológicos no horizonte da justiça reprodutiva”. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA, 33., Curitiba, 2022. Anais [...]. Curitiba: UFPR, 2022.
THEIDON, Kimberly. Reproductive Warfare: Enforced Sterilizations in Peru. In: THEIDON, Kimberly. Citizenship on the Edge: Sex/Gender/Race. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2022. p. 228-239.
UGARTE, Sofía. Caring for a responsible self: Migrant motherhood and the politics of reproduction. Signs: Journal of Women in Culture and Society, [s. l.], v. 48, n. 4, p. 969-990, 2023. Disponível em: https://www.journals.uchicago.edu/doi/epdf/10.1086/724243. Acesso em: 4 fev. 2026.
WERNECK, Jurema. Racismo institucional e saúde da população negra. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 25, n. 3, p. 535-549, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-129020162610. Acesso em:13 fev. 2026.
VIANNA, Adriana; LACERDA, Paula. Direitos e Políticas Sexuais no Brasil: o panorama atual. Rio de Janeiro: CLAM: CEPESC, 2004
VICARONI, Tamara. Loucas demais para serem mães: narrativas de profissionais de saúde mental sobre maternidades interrompidas. 2025. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Laura Lowenkron, Camila Fernandes, Marjorie Murray

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
O conteúdo da revista Antropolítica, em sua totalidade, está licenciado sob uma Licença Creative Commons de atribuição CC-BY (http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt).
De acordo com a licença os seguintes direitos são concedidos:
- Compartilhar – copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato;
- Adaptar – remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial;
- O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição – Você deve informar o crédito adequado, fornecer um link para a licença e indicar se alterações foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer maneira razoável, mas de modo algo que sugira que o licenciante o apoia ou aprova seu uso;
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.