Soft power e a construção do realismo em Fauda: um estudo da recepção brasileira

Autores

  • Vitoria Paschoal Baldin Universidade de São Paulo
  • Daniela Osvald Ramos Universidade de São Paulo
  • Maria Cristina Palma Mungioli Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.22409/9gvvdq93

Palavras-chave:

Diplomacia pública, Narrativa seriada, Conflito israelo-palestino

Resumo

Este estudo investiga como a série Fauda se insere dentro da lógica do soft power israelense, analisando sua recepção no contexto brasileiro. A pesquisa não probabilística intencional se baseia na análise qualitativa de 157 avaliações publicadas no Google e na plataforma Adoro Cinema, analisadas sob a perspectiva da Análise do Discurso. Concluímos que há uma recepção fragmentada e polarizada por parte das pessoas brasileiras, e que a série opera simultaneamente como produto de entretenimento e instrumento de diplomacia pública, produzindo sentidos  sobre o conflito israelo-palestino.

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Biografia do Autor

  • Vitoria Paschoal Baldin, Universidade de São Paulo

    Doutoranda e Mestre em Ciências da Comunicação (PPGCOM-ECA) pela Universidade de São Paulo, sob orientação da Profa. Dra. Daniela Osvald Ramos. Bacharel em História da Arte pela Universidade Federal de São Paulo (2021). Ao longo de sua graduação, desenvolveu pesquisa e participou de projetos na área de História da Arte, com foco em estudos sobre grafite em regiões do Oriente Médio em contextos de guerra, com bolsa do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC-CNPq). Explora temas relacionados à arte urbana em contextos de conflito, mídia e comunicação em regiões do Oriente Médio. Integrante do Grupo de Estudos COM+ e do Núcleo de Apoio a Pesquisa OBCOM, ambos associados a Universidade de São Paulo. Pesquisadora de arte e ativismo digital palestino. Atualmente, interessada em temas transversais entre plataformização, liberdade de expressão, ativismo digital e conflito palestino-israelense. 

  • Daniela Osvald Ramos, Universidade de São Paulo

    Doutora e mestre Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (ECA/USP), graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professora de Novas Tecnologias da Comunicação na Sociedade Contemporânea e Teorias da Comunicação no curso de Educomunicação no Departamento de Comunicações e Artes da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo, em Regime de Dedicação Integral à Docência e Pesquisa (RDIDP). Coordenadora do grupo de pesquisa OBCOM - Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura. Membro do projeto internacional "Safety Matters: Research and education on the Safety of Journalists in cooperation between Norway, Brazil, South Africa and USA", liderado pela Oslo Metropolitan University (OsloMet), financiado pelo Research Council of Norway. Integrante do grupo de pesquisa COM+ (ECA-USP). 

  • Maria Cristina Palma Mungioli, Universidade de São Paulo

    Professora Livre-docente na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCom-USP). Pesquisadora de Produtividade em Pesquisa (PQ) do CNPq (processo 315611/2023-5). Líder do Grupo de Pesquisa GELiDis CNPq/ECA-USP. Email: crismungioli@usp.br

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Publicado

2026-04-30