‘Homem fica lindo grávido’: uma análise de performatividades de masculinidades e paternidades de pessoas que gestam no Instagram

Autores

  • Clarisse Castro Cavalcante Fundação Oswaldo Cruz
  • Kátia Lerner Fundação Oswaldo Cruz

DOI:

https://doi.org/10.22409/5pdkfq18

Palavras-chave:

Gênero; Performatividade; Masculinidades; Paternidade; Redes sociais

Resumo

Este estudo investiga como pessoas transmasculinas que vivenciam a gestação constroem e expressam suas masculinidades e paternidades por meio de performances no Instagram. Ancorado nos campos dos Estudos de Gênero e da Comunicação, o artigo analisa as formas pelas quais essas experiências desafiam os regimes normativos de gênero, corporeidade e parentalidade, ao tornar visíveis corpos grávidos masculinos em plataformas digitais. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória, realizada entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, com base na análise de 14 publicações e 23 comentários de perfis públicos identificados pela hashtag #pessoasquegestam. A partir de autores como Butler, Lauretis e Foucault, o artigo discute o Instagram como dispositivo performativo de visibilidade, no qual a exposição desses corpos opera como gesto político e simbólico de afirmação identitária. As imagens e legendas revelam processos simultâneos de tornar-se homem e tornar-se pai, evidenciando masculinidades híbridas que conjugam vulnerabilidade e resistência. Conclui-se que as redes sociais funcionam como espaços de disputa discursiva e reconhecimento, nos quais pessoas transmasculinas elaboram novas possibilidades de existência e de parentalidade, questionando fronteiras entre maternidade e paternidade e ampliando o repertório simbólico das experiências humanas de cuidado.

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Biografia do Autor

  • Clarisse Castro Cavalcante, Fundação Oswaldo Cruz
    Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz
  • Kátia Lerner, Fundação Oswaldo Cruz

    Possui graduação em sociologia pela Pontifícia Católica do Rio de Janeiro (1991), mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1996), doutorado em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004), com doutorado sanduíche em sociologia pela University of California/Los Angeles (2001), e pós-doutorado em Comunicação pela Escola de Comunicação da UFRJ (2013-2015).

    Pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, é Vice-Líder do Grupo de Pesquisa do CNPq Comunicação e Saúde, Editora Associada da Revista Interface e coordenadora do GT Comunicação e Sociabilidade da Compós.

    Foi Assistente de Ensino do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz entre agosto de 2019 e julho de 2021 onde esteve, junto com Mônica Magalhães, à frente da coordenação do Ensino da unidade e da elaboração de seu Projeto Político Pedagógico. Coordenou o Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS/ICICT/FIOCRUZ) entre julho de 2016 e agosto de 2018 e o GP Comunicação, Divulgação Científica, Saúde e Meio Ambiente da Intercom entre 2017 e 2020. Foi responsável pelo Projeto da USC Survivors of the Shoah Visual History Foundation no Rio de Janeiro entre 1996-1999, quando também atuou como entrevistadora e tornou-se, até 2013, sua representante no Brasil junto com Anita Pinkuss.

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Publicado

2026-04-30