
ACESSIBILIDADE DIGITAL E INCLUSÃO: O QUE PODEMOS
APRENDER COM A ÉTICA HACKER?
deveriam ser chamadas de crackers. Deste modo pode-se dizer que a característica
principal do hackerismo consiste na proposta de criar um espírito alternativo para a Era
da Informação, defendendo que o conhecimento é um dispositivo poderoso que pode
dirimir as exclusões, portanto, todos deveriam se apropriar desses meios de forma
crítica.
Himanen (2001) além de desmistificar o sentido pejorativo atribuído aos
hackers, nos mostra que a ética desse grupo pode ser aplicada em qualquer meio, não
só ligado à tecnologia computacional, como costumam supor. A lógica do trabalho
hacker tem a ver com a paixão pelo que faz e compreender o seu trabalho, para além
da lógica capitalista, entendendo a sua importância coletiva, nessa perspectiva a Ética
Hacker inverte o primado capitalista “tempo é dinheiro” e propõe relações temporais e
atencionais, mais ecológicas.
Pretto, por sua vez, se baseia na ética descrita por Himanen, reconhecendo
seus princípios como elementos valiosos para compreender e potencializar os novos
processos de ensino e aprendizagens, criando o conceito de Educações Hacker (Pretto,
2017). Segundo ele, esta é uma questão de justiça social, ou seja; tornar esses
ambientes acessíveis a todos, eliminando barreiras sociais e físicas (Pretto, 2017).
Com a filosofia hacker, outra cultura se estabelece ao enfatizarmos a paixão,
o trabalho solidário e colaborativo como elementos socialmente necessários
para a construção de um mundo sustentável. Entretenimento, trabalho,
cultura, educação, ciência, tecnologia, todos os campos podem e deveriam
estar imersos nessa cultura, onde o prazer em construir seja o mote
realizador das ações (Pretto, 2017, p.39).
No mundo em que vivemos, a partir da lógica do capital que incentiva o
individualismo e a desigualdade, construir práticas colaborativas, coletivas,
descentralizadas e não hierarquizadas é uma tarefa desafiadora, mas a internet, se
utilizada para além do entretenimento e e-commerce, com um viés mais politizado,
pode ser um meio potencializador dessa construção coletiva.
Essa outra postura é o que denominamos um jeito hacker de ser, centrado
numa forte ética de compartilhamento, uma ética hacker que propicia, ao
fortalecer as redes de nós fortalecidos, que professores-autores em rede
exerçam plenamente sua cidadania. Professores fortalecidos fazendo a
Revista Aleph. Niterói, junho de 2025, nº 43, p. 1 - 13. ISSN 1807-6211
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