Monitoria em Teoria Microeconômica I: "Orientar, aconselhar, instruir".
Palavras-chave:
Aprendizagem, Desigualdades educacionais, Ciência, Monitoria, Teoria Microeconômica IResumo
A disciplina de Teoria Microeconômica I é ofertada aos discentes do segundo período do curso de Ciências Econômicas na UFF – Campos. Essa matéria possui importância singular no contexto acadêmico, pois introduz o graduando em economia a uma vasta gama de conceitos, modelos e teorias amplamente aplicados na ciência econômica. A disciplina não se restringe a apresentar um rico arcabouço teórico, mas se debruça na descrição das relações entre consumidores e firmas.
Além disso, a disciplina envolve o uso essencial de recursos algébricos e gráficos, que compõem a sua base teórica. Por esse motivo, os discentes, especialmente aqueles que chegam ao ensino superior trazendo dificuldades oriundas do ensino médio e inseridos em condições socioeconômicas de vulnerabilidade, frequentemente se deparam com desafios que vão além da aplicação de cálculos e da modelagem gráfica. É nesse contexto acadêmico que se torna premente a presença de um apoio adicional ao processo de aprendizagem: o monitor. Seguindo uma análise etimológica, a palavra monitor expressa, no latim clássico, a ideia de “aquele que orienta, aconselha ou instrui”, derivando do verbo monēre, que significa “advertir, lembrar, aconselhar” (LEWIS; SHORT, 1879). Foi a partir dessa compreensão que busquei direcionar o meu modus operandi enquanto monitor de Teoria Microeconômica I. Visualizo a monitoria não apenas como uma experiência agregadora de iniciação à docência (UFF, 2024), mas também como uma oportunidade singular de prestar auxílio àqueles que dele necessitam, buscando identificar as principais carências da turma, conforme orientação da Professora Patricia Bastos.
Dessa maneira, o monitor não deve se limitar à resolução de exercícios, mas, no exercício de suas atribuições, deve fornecer aos assistidos pela monitoria um ambiente que favoreça o diálogo, o esclarecimento de dúvidas e o suporte necessário para o bom desempenho dos alunos na disciplina. Ademais, acredito que o monitor também tem como atribuição tornar o estudo atrativo para o discente.
Diante disso, organizei os encontros da monitoria em revisões semanais do conteúdo, utilizando slides lúdicos e mapas mentais, ferramentas que facilitam a fixação do aprendizado. Esses recursos tornaram a monitoria menos massante, mais objetiva e eficaz. Nas vésperas das avaliações, utilizei a plataforma Kahoot para que os assistidos pela monitoria respondessem a um quiz sobre o conteúdo da prova. Essa medida proporcionou aos alunos uma revisão dinâmica, pois, a cada pergunta, eu explicava o conteúdo a ela relacionado. Além disso, serviu como um “termômetro" para avaliar os pontos fortes da turma e identificar os tópicos que ainda demandavam maior atenção. Na transição do segundo módulo do curso, referente à segunda parte da Teoria do Consumidor, para o terceiro módulo, que aborda a Teoria da Firma, organizei quadros comparativos entre essas duas áreas da Teoria Microeconômica. Dessa forma, os discentes puderam observar as diferenças entre os dois assuntos a partir de suas semelhanças pontuais, como a curva de indiferença, na Teoria do Consumidor, e a isoquanta, na Teoria da Firma, facilitando a compreensão das relações e aplicações de cada conceito de maneira correta.
Portanto, conclui-se que a monitoria constitui uma ferramenta de grande potencial para fortalecer o aprendizado e estimular o interesse dos discentes pelo estudo dessa ciência fundamental. Além de servir como canal de aconselhamento e instrução, a monitoria exerce um papel estratégico na redução das desigualdades educacionais mencionadas anteriormente. Ademais, oferece ao próprio monitor um ambiente singular de formação, uma vez que, além dos encontros periódicos com os discentes, cabe a ele ministrar uma aula para a turma em substituição ao docente uma vez ao ano (UFF, 2024). Tal prática reforça a concepção de Glasser (2001), segundo a qual a forma mais eficaz de consolidar o conhecimento é por meio do ato de ensinar.
Downloads
Referências
LEWIS, Charlton T.; SHORT, Charles. A Latin Dictionary. Oxford: Clarendon Press, 1879.
GLASSER, William. Teoria da escolha: uma nova psicologia de liberdade pessoal. Tradução de Maria Luiza X. de A. Lins. Rio de Janeiro: Mercuryo, 2001.
UFF. Edital Prograd/Uff n. 5, de 21 de outubro de 2024
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Thiago Góis Camilo Valadares, Patricia de Melo Abrita Bastos

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1.Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
2.Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3.Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.