A crise carcerária em Córdoba (Argentina): entre a gestão estatal e a reivindicação familiar
DOI:
https://doi.org/10.22409/antropolitica2026.v58.i2.a67345Palavras-chave:
Crise Carcerária, Gestão Penitenciária, Estado, Ativismo.Resumo
Este artigo analisa a crise carcerária ocorrida em Córdoba (Argentina) em 2019, desencadeada por mortes atribuídas a supostos suicídios e à falta de assistência médica no Estabelecimento Penitenciário Nº 3 para mulheres. A pesquisa se baseia em um extenso trabalho de campo etnográfico, realizado desde 2017 com familiares de pessoas detidas e falecidas em contextos de confinamento, bem como na análise de fontes secundárias (materiais de imprensa, documentos judiciais e institucionais etc.). O objetivo é compreender como o Estado configurou sua gestão penitenciária diante de um contexto de crise e das demandas de familiares e organizações sociais. Nesse contexto, meu foco é a análise de uma cena etnográfica específica: uma reunião entre funcionários, militantes, atores universitários e familiares de mulheres privadas de sua liberdade. Essa situação permite desvendar o sistema de relações que se desenrola na gestão penitenciária e nas disputas em torno das vidas e mortes nas prisões de Córdoba. Tal cenário demonstra as respostas fragmentadas e burocráticas orientadas a legitimar a ação governamental, por meio de iniciativas como a intervenção na prisão feminina, a criação de mesas interinstitucionais e de instâncias de diálogo de alcance limitado. Isso me permite sustentar que a prisão não opera como uma instituição monolítica, mas como uma teia de agências estatais que, ao mesmo tempo, reforçam a imagem de uma instituição isolada. Além disso, a pesquisa evidencia a centralidade do gênero na produção de discursos e práticas estatais, que reproduzem desigualdades e sofrimento na experiência carcerária.
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