Relicário digital televisivo

as telenovelas no Globoplay e a gestão da memória audiovisual brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22409/1446a644

Palavras-chave:

Acervo televisivo, Memória televisiva, Relicários digitais televisivos, Streaming, Telenovela

Resumo

Este artigo analisa as estratégias do Grupo Globo para a preservação da memória televisiva, tomando o Globoplay como estudo de caso. A partir do conceito de «relicários digitais televisivos», discute-se de que forma o streaming, ainda que associado ao «novo», funciona também como um repositório do passado, institucionalizando práticas nostálgicas de colecionismo, sobretudo em serviços ligados a conglomerados mediáticos locais. No Brasil, esta dinâmica amplia o acesso ao património televisivo, em especial às telenovelas brasileiras, mas evidencia riscos ao subordinar os esforços de preservação a estratégias privadas, na ausência de políticas públicas consistentes para a salvaguarda audiovisual.

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Biografias do Autor

  • Mayka Castellano, PPGCOM - UFF

    Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

  • Melina Meimaridis, Universidade Federal Fluminense

    Doutora e pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense com bolsa de pós-doutorado nota 10 da FAPERJ. Pesquisadora associada ao Global Internet TV Consortium.

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Publicado

2026-01-21

Como Citar

Relicário digital televisivo: as telenovelas no Globoplay e a gestão da memória audiovisual brasileira . (2026). Mídia E Cotidiano, 20(1), 106-132. https://doi.org/10.22409/1446a644