Grupos econômicos, conflito distributivo e fundo público durante a ditadura: as construtoras e a disputa pelo orçamento federal durante o regime empresarial-militar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15175/c1mnrk28

Palavras-chave:

ditadura brasileira, empresariado, fundo público, orçamento estatal

Resumo

O artigo pretende analisar a administração do fundo público e o conflito distributivo durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985), problematizando a atuação dos grupos econômicos sobre o empenho do orçamento federal no período, em particular as grandes construtoras de obras de infraestrutura. O propósito é compreender os impactos do golpe de 1964 sobre o direcionamento dos recursos controlados pelo Estado e quais foram os grupos e classes sociais atendidos e os prejudicados pela política orçamentária no período. O texto se insere no debate historiográfico recente sobre a atuação do empresariado na ditadura brasileira e usa o conceito de fundo público, trabalhado por Francisco de Oliveira. A fonte principal do artigo é o Anuário Estatístico do Brasil publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que traz anualmente os dados do orçamento realizado. Após verificar gastos elevados nas pastas militares e nos ministérios responsáveis por obras de infraestrutura, concluímos que o pacto empresarial-militar da ditadura não dizia respeito apenas a uma relação política e divisão de poder, mas passava também pela repartição de recursos e apropriação do fundo público diretamente por esses agentes.

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Biografia do Autor

  • Pedro Henrique Pedreira CAMPOS, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, Brasil

    Professor do Departamento de História (DHist) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), atuando no Programa de Pós-Graduação de História da UFRRJ (PPHR). Possui graduação em História pela Universidade Federal Fluminense (2004), mestrado em História Social pela mesma instituição (2007) e doutorado em História também pela UFF (2012). É pós-doutor em História pela PUC-SP desde 2021. Em 2015, ganhou o prêmio Jabuti na área de Economia pelo livro "Estranhas Catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar (1964-1988)" (Eduff, 2014). É bolsista Jovem Cientista do Nosso Estado (Faperj) e pesquisador do CNPq. Atua nas áreas de História econômico-social, ditadura civil-militar brasileira (1964-1988), Estado e políticas públicas e História da política externa brasileira. É um dos coordenadores do LED (Laboratório de Estudos sobre a Ditadura da UFRRJ).

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Publicado

2026-01-31

Como Citar

Grupos econômicos, conflito distributivo e fundo público durante a ditadura: as construtoras e a disputa pelo orçamento federal durante o regime empresarial-militar. (2026). Passagens: Revista Internacional De História Política E Cultura Jurídica, 18(1), 94-117. https://doi.org/10.15175/c1mnrk28