Entre o “caldeirão do diabo” e o Comando Vermelho: memórias prisionais da Ilha Grande (Graciliano Ramos, Herondino Pereira Pinto e William da Silva Lima)

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DOI :

https://doi.org/10.15175/y3q09b84

Mots-clés :

estado de exceção, literatura de testemunho, memória, violência política

Résumé

Desde o século XIX e ao longo do século XX, até a implosão do Instituto Penal Cândido Mendes em 1994, a Ilha Grande foi eleita, tanto por ditaduras quanto por governos democráticos, como local de exílio e encarceramento. Das muitas unidades prisionais lá mantidas, um legado comum: prisões irregulares e constante violação de direitos. O artigo procura reconstituir essa trajetória por meio dos testemunhos de três prisioneiros: Graciliano Ramos, Herondino Pereira Pinto e William da Silva Lima. Em seus respectivos trabalhos de memória, os autores dão conta de uma história centenária de autoritarismo e violência que testemunham a tradição antidemocrática do país.

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Biographie de l'auteur-e

  • Ana Carolina Huguenin PEREIRA, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
    Possui doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2011). Tem experiência na área de História, com ênfase em História Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: História e Literatura, Cultura e sociedade russas, História da Europa Contemporânea.

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Publié

2026-01-31

Comment citer

Entre o “caldeirão do diabo” e o Comando Vermelho: memórias prisionais da Ilha Grande (Graciliano Ramos, Herondino Pereira Pinto e William da Silva Lima). (2026). Revue Internationale d´Histoire Politique E Culture Juridique, 18(1), 25-42. https://doi.org/10.15175/y3q09b84