Índice de preços ao consumidor de campos: uma experiência de extensão universitária e educação econômica local
Palavras-chave:
Inflação, Cesta Básica e Extensão UniversitáriaResumo
O Índice de Preços ao Consumidor de Campos (IPC Campos) é um projeto de extensão do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolvido no campus de Campos dos Goytacazes. Seu objetivo é simples, mas de grande impacto: acompanhar mensalmente os preços da cesta básica em supermercados da cidade e divulgar essas informações de forma clara para a população. O projeto surgiu porque os principais índices de inflação usados no Brasil, como o INPC e o IPCA, são voltados para capitais e regiões metropolitanas. Assim, muitas vezes, eles não refletem a realidade de cidades do interior como Campos dos Goytacazes, que tem mais de 480 mil habitantes e fica a cerca de 300 km do Rio de Janeiro. Diante disso, o IPC Campos busca preencher essa lacuna, oferecendo um retrato mais fiel da variação de preços em termos locais. A metodologia é baseada na coleta de preços em três supermercados da cidade, feita por grupos de estudantes. Eles pesquisam os valores de diferentes marcas para os produtos que compõem a cesta básica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o DIEESE, além de itens de higiene e limpeza. Depois, os dados são lançados em planilhas e processados para se chegar ao valor médio de cada produto. A partir disso, calcula-se o custo total da cesta básica do mês, permitindo comparações com períodos anteriores e com outras cidades. Essas informações são divulgadas em boletins mensais, com textos explicativos, gráficos e análises sobre os produtos que mais subiram ou caíram de preço. Além disso, o projeto realiza oficinas em escolas públicas, onde as crianças participam de atividades lúdicas usando preços reais dos supermercados. Essa iniciativa ajuda a promover a educação econômica desde cedo, incentivando o planejamento de compras e o cuidado com o orçamento familiar. O projeto se destaca também como ferramenta de formação prática para os estudantes. Ao participar das atividades, eles aprendem a lidar com dados, usar planilhas, calcular médias, elaborar relatórios e interpretar variações de preços. Além disso, desenvolvem um olhar mais atento para os problemas do dia a dia da população, reforçando o papel social do economista. Outro ponto importante é a utilidade pública do IPC Campos. Ao tornar os preços mais visíveis e compreensíveis para todos, o projeto ajuda os consumidores a fazerem melhores escolhas. Também pode servir como apoio na elaboração de políticas públicas voltadas para a segurança alimentar, distribuição de cestas básicas e programas de auxílio à renda. De forma geral, o IPC Campos mostra como a universidade pode contribuir diretamente com a sociedade, produzindo conhecimento útil e acessível. O projeto tem como meta ampliar ainda mais sua atuação, com mais oficinas educativas, parcerias locais e divulgação constante dos boletins. Dessa forma, busca reforçar a consciência econômica da população e a presença ativa da UFF no cotidiano da cidade. O objetivo principal desta proposta é fortalecer o IPC Campos como um canal permanente de informação, aprendizado e integração entre universidade e comunidade. Com isso, pretende-se seguir contribuindo para uma sociedade mais informada, crítica e preparada para lidar com os desafios do custo de vida.
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Referências
DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Cesta básica de alimentos: conceitos e definições técnicas. São Paulo: DIEESE, 2009.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor: estrutura e metodologia. Rio de Janeiro: IBGE, 2005.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estimativas populacionais dos municípios para 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.
LAVINAS, Lena. Programas sociais: redução da pobreza e transferência de renda no Brasil. São Paulo: Cortez, 1998.
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