Questão agrária e os diferentes tipos de reforma agrária no estado do Rio de Janeiro

Autores

  • Fidel Gomes Resende Universidade Federal Fluminense
  • Vanuza da Silva Pereira Ney Universidade Federal Fluminense

Palavras-chave:

Reforma agrária, Agricultura familiar, Estado

Resumo

O trabalho busca realizar um debate acerca dos diferentes tipos de Reforma Agrária no estado do Rio de Janeiro. Para isso, antes, utilizou-se o conceito de Martins (1999) referente à Questão Agrária, a qual é definida como a situação agrária de um recorte geográfico específico, delimitada por um período determinado. Ou seja, a Questão Agrária se trata de um cenário das relações no campo, possuindo caráter histórico e afetado por questões estruturais. Além disso, para uma compreensão adequada do texto, também se fez necessário o destaque da definição de Reforma Agrária. É importante mencionar que este trabalho é resultado do Programa de Iniciação Científica da UFF (PIBIC UFF), desenvolvido com bolsa do CNPq. Dessa maneira, a Reforma Agrária pode ser compreendida por fatores institucionais, ou seja, atuações de órgãos do Estado e de instituições governamentais que realizam modificações no campo por meio de políticas agrárias, procurando ampliar o acesso à terra (Stédile, 2020). Entretanto, o conceito também pode adquirir outros tipos de abordagem, como, por exemplo, as Reformas Agrárias realizadas por movimentos sociais e atores da sociedade civil (Resende e Pereira, 2024). Com isso, movimentos que lutam por acesso à terra se enquadram nessa categoria, já que é uma movimentação realizada “de baixo para cima”, enquanto os movimentos institucionais são realizados "de cima para baixo". De acordo com Resende e Pereira (2024), os movimentos realizados pelo Estado e suas instituições podem ser denominados de Reforma Agrária Institucionalizada (RAI), enquanto as atuações da sociedade civil e de movimentos sociais na questão agrária podem ser definidas como Reforma Agrária Organizada Socialmente (RAOS). Essas definições possuem acentuada importância, pois, com isso, é possível entender qual é a predominância da participação desses atores políticos, ampliando a análise de uma Reforma Agrária específica, seja ela no estado do Rio de Janeiro ou no aspecto global. Outra forma de determinar um movimento é quando, concomitantemente, a Reforma Agrária possui elementos de atuação governamental e civil, podendo, assim, ser caracterizado como Reforma Agrária Híbrida (RAH). Dadas as definições, para melhor exegese do tema, torna-se adequada a abordagem de alguns exemplos internacionais de cada tipo de Reforma Agrária. A começar pela RAI, os exemplos mais comuns envolvem os Estados Unidos (EUA), que cedeu terras para a construção de faculdades agrícolas (Morril Land-Grant Act) no século XIX e forneceu alguns hectares de terra para as famílias (Homestead Act), a Inglaterra que intensificou o fechamento dos campos no século XVIII, privando-os dos camponeses e o Japão, que realizou Reforma Agrária com auxílio dos EUA no século XX. Já a RAOS possui como exemplo a Revolução Francesa de 1789, que teve atuação da pequena burguesia e de camponeses, a China com a Revolução de 1949 e o movimento zapatista do México com o Plano de Ayala, que buscava defender a Reforma Agrária no país. Para a compreensão da Questão Agrária do Rio de Janeiro, utilizou-se o autor Alentejano (2005), que escreveu na Revista Fluminense de Geografia a respeito do tema. O autor destaca o avanço da especulação imobiliária nos anos 50, além do aumento da concentração fundiária e do setor do turismo no estado fluminense. A Baixada Fluminense também se tornou polo de especulação nos anos 40. O estado apresentou características de RAOS nos anos 80, com luta de trabalhadores desempregados e a reorganização do MST no Rio de Janeiro. Também, a partir dos anos 50, houve participação dos Círculos Operários Católicos na luta pela terra em conjunto com o campesinato (RAOS). O estado fluminense também apresentou algumas características de RAI, como, por exemplo, nos anos 50, com o Plano de Colonização de Terras Devolutas (Plano Piloto de Ação Agrária), buscando regularizar a situação da terra para posseiros. Portanto, o estado do Rio de Janeiro pode ser compreendido como resultado de lutas de movimentos sociais e atuações do Estado, sendo possível caracterizá-lo como derivado de Reforma Agrária Híbrida (RAH). Tal definição merece destaque por compreender a complexidade da Questão Agrária Fluminense. O trabalho possui como metodologia a realização de resumos descritivos acerca do tema, pesquisa e leitura do referencial teórico e aproveitamento teórico-metodológico do conteúdo abordado na disciplina de Geografia Agrária. O objetivo geral é: entender o tipo de Reforma Agrária que se constitui no estado do Rio de Janeiro; e os objetivos específicos são: analisar os diferentes tipos de Reforma Agrária de acordo com algumas experiências históricas, exemplificar movimentos de Reforma Agrária no estado fluminense e relacionar os tipos de Reforma Agrária abordados com os movimentos analisados no estado.

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Biografia do Autor

  • Fidel Gomes Resende, Universidade Federal Fluminense

    Graduando em Ciências Econômicas, Departamento de Ciências Econômicas de Campos, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil

  • Vanuza da Silva Pereira Ney, Universidade Federal Fluminense

    Professora Associada, Departamento de Ciências Econômicas de Campos, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil

Referências

ALENTEJANO, Paulo Roberto Rodrigues. Luta por terra e reforma agrária no Rio de Janeiro. Revista Fluminense de Geografia, 2005.

MARTINS, José De Souza. Reforma Agrária: O impossível diálogo sobre a História possível. São Paulo: Edusp, 1999.

OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. Modo de Produção Capitalista, Agricultura e Reforma Agrária. São Paulo: FFLCH, 2007.

STEDILE, João Pedro (org.). Experiências históricas de reforma agrária no mundo. Volume I. São Paulo: Expressão Popular, 2020.

RESENDE, Fidel G; PEREIRA, Vanuza da Silva Ney. A atuação do Estado e a participação popular em diferentes experiências de Reforma Agrária., 2024, Campos dos Goytacazes. Anais da XII Semana de Economia da UFF. Campos dos Goytacazes: UFF, 2024.

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Publicado

2026-01-14

Como Citar

Questão agrária e os diferentes tipos de reforma agrária no estado do Rio de Janeiro. Anais da Semana de Economia (Campos), [S. l.], v. 5, n. 1, p. 54–56, 2026. Disponível em: https://www.periodicos.uff.br/seeco/article/view/68894. Acesso em: 23 mar. 2026.