Territórios digitais
Cocriação, pertencimento e desigualdades no consumo local do Instagram
DOI :
https://doi.org/10.12712/rpca.v.194.69828Résumé
A crescente plataformização das interações sociais transformou as páginas de bairro no Instagram em arenas digitais de cocriação, consumo e pertencimento, mas também de reprodução de desigualdades territoriais. Este estudo tem como objetivo compreender como essas páginas operam como territórios digitais de cocriação, engajamento e inclusão, influenciando simultaneamente o consumo local e as relações comunitárias. Foi adotada uma abordagem qualitativa de caráter exploratório e descritivo, combinando netnografia de seis páginas de bairro de Fortaleza, entrevistas semiestruturadas com comerciantes e registros etnográficos em diário de campo. Os resultados indicam cinco eixos centrais: (1) a cocriação digital de narrativas territoriais, (2) o consumo relacional sustentado por vínculos afetivos, (3) a inclusão comunicacional via recursos acessíveis, (4) a construção de valor simbólico e pertencimento e (5) as desigualdades digitais mediadas por capital financeiro e domínio técnico. O estudo amplia o conceito de cocriação ao integrá-lo às dimensões territoriais e afetivas da cultura digital, oferecendo uma tipologia interpretativa para análise de ecossistemas comunitários plataformizados. Além de fornecer subsídios para políticas de inclusão digital e para o fortalecimento de economias locais, ao destacar a necessidade de curadoria inclusiva e capacitação de pequenos empreendedores para ampliar sua presença e visibilidade nas redes. Conclui-se que as páginas de bairro constituem plataformas híbridas de visibilidade, inclusão e disputa simbólica, oferecendo novas perspectivas para a compreensão do consumo local mediado digitalmente e para a formulação de políticas de inclusão digital e fortalecimento de economias de vizinhança.
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